29-11

* Rosa Silva

 

«A língua que nos une também pode ser a língua que nos separa» foi uma das frases proferidas pela jornalista Leonor Xavier, no salão nobre do Teatro Dona Maria II, dia 6 último. Deu alguns exemplos. A palavra «canalizador» é, para nós, aquele que repara a canalização, mas para o carioca do Rio de Janeiro é um bombeiro. E citou João Cabral: «Nós com 20 palavras fazíamos um poema.»

 

Com graça própria e simplicidade experimentada, Leonor, também escritora, lembrou alguns grandes nomes de portugueses e brasileiros ligados pela cumplicidade fraterna luso-brasileira: Agostinho da Silva (que chegou a entrevistar), António Alçada Baptista, Millôr Fernandes, Vitorino Nemésio (e o seu Violão do Morro)…

 

Já Arnaldo Saraiva, professor emérito da Universidade do Porto, falou das suas origens serranas, do seu primeiro contacto com o português do Brasil quando um professor lhe pediu para cantar e encantar com a sua pronúncia melodiosa. E d’ A Flor e A Náusea de Carlos Drummond de Andrade que o converteram definitivamente à cultura brasileira. Para ele, todo o português devia ser brasileiro e todo o brasileiro devia ser português. E lembrou Manuel Bandeira no Português meu avozinho, que fui, à socapa, bisbilhotar e maravilhei-me. Falou do António Cândido e da metáfora do arco-íris. E do Brasil que foi a maior invenção dos portugueses. Naquilo que de bom lhes levámos. E recebemos!

 

As relações entre Portugal e o Brasil, diz, são automáticas. Deviam ser mais ponderadas. Está bem que as telenovelas nos aproximaram daquele país. Mas ninguém no Brasil conhece telenovelas portuguesas. Parece que só interessam as relações comerciais… Da literatura portuguesa no Brasil, conhecem os clássicos: Eça de Queirós…; da atualidade: José Cardoso Pires, Inês Pedrosa, Gonçalo M. Tavares e pouco mais… A Carminho lá vai ao Brasil… Lembrei-me da Eugénia Mello e Castro…

 

As instituições universitárias ainda vão estreitando um pouco mais a distância. E temos o exemplo de Cleonice Berardinelli, por quem, eu própria, tenho muita estima, porque a conheci pessoalmente e me vem inspirando. Mas pouco mais. Não temos a prática do protocolo. E, quase de propósito, entrou naquele momento o embaixador do Brasil em Portugal. A quem foi feita uma saudação oficial.

 

Leonor continuou. Os códigos de conduta entre os dois povos ainda causam muita convulsão. A história do Brasil e de Portugal tem sido feita para contar. Faz-se de boca em boca. E recorda Raúl Solnado que dizia que havia sempre algo comum entre os portugueses e os brasileiros: os nossos avós.

 

Hoje vamos também acordando o passo da ortografia ao compasso da fonética. Não é mesmo?

 

 

* Docente do Ensino Secundário



publicado por Correio da Educação às 15:00
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