11-06

 

 

* Teresa Martinho Marques


Não sei o que é o amor em educação.
Não consigo defini-lo com palavras simples.
Mas sei distinguir quem ama de quem não ama. Conheço os efeitos colaterais desse amor. E sei que não é preciso ser professor para transpirar essa paciência cheia de esperança do jardineiro.

Quando comecei a trabalhar com o Scratch na plataforma do MIT, surgiu por lá  o utilizador ffred a comentar os trabalhos dos alunos, apoiando, criticando, desafiando, estimulando. Podia ter qualquer idade, ser qualquer pesssoa, morar em qualquer canto do mundo. Dele conhecia o seu empenho e as suas palavras sábias dirigidas aos alunos. Faziam toda a diferença no trabalho das crianças que se habituaram a esperar essas palavras, a lê-las, a usá-las como referência.

 

 

O dia chegou em que descobrimos afinal que este senhor ffredera o Tenente Coronel Fernando Frederico, reformado do exército, ex-programador de CAD que vivia na Moita. Pai de uma professora da minha escola e avô de uma menina que acabou por ser minha aluna no ano seguinte. A primeira vez que o Avô Fred foi à nossa escola, e se apresentou aos meninos, foi um momento inesquecível. Havia um real para além do virtual. O Avô Fred era de carne e osso. Tinha um rosto, um sorriso grande  e uma energia inesgotável.


Desde aí  esteve sempre presente em todas as nossas caminhadas, em todos os nossos sonhos, em todos os nossos projetos.  Programa em Scratch como um mestre, ajuda-nos em todas as imensas tarefas do Centro de competência TIC da Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de  Setúbal, responsável pelo projeto EduScratch em parceria com a Direção-Geral da Educação (que apenas conta com uma professora e um coordenador para espalhar sementes pelo país fora – agora até mundo fora). É um voluntário persistente, incansável, sempre presente.  Vai a escolas, faz workshops, responde a dúvidas nos nossos fóruns, ajuda na tradução de documentos e recursos variados, comenta todos os novos projetos que aparecem no portal e desenvolve muito mais trabalho do que aquele que pode ser descrito aqui. Parece dotado de uma qualquer magia que amplia o seu tempo de forma infinita.


Todo ele é feito dádiva e em troca apenas recebe a satisfação de ver os frutos das sementes de generosidade que espalha por todos os solos, há já tanto tempo, sem nunca se cansar.  

Não sei o que é o amor em educação.
Não consigo defini-lo com palavras simples.
Mas sei onde ele mora sempre que olho para os sonhos e para a obra do Avô Fred.

Obrigada, Fred! Sem ti nunca teríamos chegado onde já chegámos.

* EB 2,3 de Azeitão e CCTIC – ESE/IPS: http://projectos.ese.ips.pt/cctic/ e http://eduscratch.dgidc.min-edu.pt/    



publicado por Correio da Educação às 14:59
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De Idalina Jorge a 11 de Junho de 2012 às 16:47
Um abraço grande, ao avô e à "neta".
IJ


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