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Correio da Educação

Correio da Educação

 

 

 

 

* Teresa Martinho Marques

 


Abro a televisão e lá está a psicóloga a falar dos casais desavindos (e muitas vezes divorciados) por causa do Facebook. E são tantos e pelas mais diversas razões... «Está a ver... algumas mulheres não gostam que os seus companheiros façam like em meninas de biquini... Ou que as adicionem como amigas... E não querem que os companheiros/as fiquem tanto tempo de volta do computador em vez de prestarem atenção à família...» E que antes a culpa já foi também muito das salas de chat... e continua a ser dos sms do telemóvel e de toda essa parafernália de tecnologias do demo que chegou apenas para destruir as pobres famílias e afastar as pessoas umas das outras. Antes de tudo isto, penso eu à luz do que escuto, nunca ninguém se desamava, se traía, se afastava como agora. Saudades de uma caverna à luz da lareira.

 

Depois olho para o outro lado das coisas e relembro a quantidade de gente especial que conheci, primeiro virtualmente e depois no real, muitos transformados em amigos mais preciosos do que os que escolhi de forma convencional. Aqueles com quem aprendo imenso todos os dias e hão de continuar no virtual porque estão longe. Aqueles que se tornaram parceiros de projetos educativos. Aqueles que revi depois de muitos anos sem saber deles e a família cada vez mais próxima mais depressa, porque longe e espalhada pelo mundo.

Nunca molestei ninguém com um garfo ou com um lápis afiado. Mas se o tivesse feito, estaria de consciência tranquila: a culpa era ou do garfo, ou da faca. Ou do cigarro, ou da fast food, ou dos bancos que me obrigaram a contrair empréstimos que eu não podia pagar, ou dos stands de automóveis que me fizeram levar para casa o topo de gama em vez do utilitário ao meu alcance, ou do menino que não estuda, ou da família que não educa, ou do professor que é mau.

Andamos esquecidos que o mundo é feito de pessoas mais ou menos (im)perfeitas, com mais ou menos juízo e bom senso, mais felizes ou menos felizes. Nem é mais seguro ou menos seguro namorar o amigo do amigo que se conheceu num bar ou numa festa, do que alguém que não se conhecia e se conheceu no virtual. A violência doméstica, as violações, os raptos não nasceram com os encontros virtuais. Nem as guerras são piores ou melhores antes ou agora.

Nem a educação muda para melhor, ou para pior, por causa das tecnologias ou do apontar de culpas.
A culpa é sempre do cérebro, do coração, da carne e da pele que nos dão forma, das decisões que tomamos com o que a vida coloca no nosso caminho. E a estrada somos nós que a fazemos... caminhando. Colhemos o que escolhemos.

Gosto de acreditar que sou responsável pelos meus gestos, para o melhor e para o pior. Gosto de passar esse testemunho aos meus alunos.
A culpa é sempre nossa de uma forma ou de outra, quer queiram quer não queiram... e o resto é conversa!



* EB 2,3 de Azeitão e CCTIC – ESE/IPS: http://projectos.ese.ips.pt/cctic/ e http://eduscratch.dgidc.min-edu.pt/

2 comentários

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    Teresa Marques 17.10.2011

    Respeito os comentários alheios, mesmo quando são agressivos e não identificados.
    Felizmente nem os meus Alunos nem os seus Pais pensam assim... e se tivesse tirado um bocadinho do seu tempo para perceber o que faço na minha ação enquanto professora (e uma delas é frequentemente ajudar os Alunos a navegar nestes universos novos e ensiná-los a proteger-se, quando as famílias não conseguem, pelas mais variadas razões) talvez não se tivesse precipitado em agredir-me, e ao que escrevi, de forma tão excessiva. A metáfora da culpa para reforçar a importância da responsabilização foi intencional... Em vez de culpar as famílias, ou as ferramentas tecnológicas, procuro manter-me informada e ajudar os alunos, assumindo que também tenho essa responsabilidade enquanto docente. E dou a cara pelo que faço ou digo, desde sempre, e nunca, em tantos anos de entrega ao ensino, alguém me agrediu como hoje... e anonimamente. O que também nos diz algo sobre os excessos que a internet permite e os juízos apressados que podem ser feitos sem conhecermos as pessoas a quem dedicamos as palavras que me dedicou. Nunca comentei alheias palavras anonimamente, mesmo quando tive de expressar com veemência a minha opinião. Obviamente não culpo a internet por isso... nem o culpo a si. Provavelmente algo nas minhas palavras o provocou, embora não fosse essa a intenção das minhas palavras. Lamento que tenha sido apenas isso que leu e viu em mim neste breve texto. Se tiver paciência, tente ir um pouco mais longe e conhecer um pouco do que faço. Talvez mude um pouco o juízo que acabou de fazer... e passe a acreditar que não sou uma pessoa irresponsável.
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