13-06

* Teresa Martinho Marques

 

Chegou entusiasmado, desejando partilhar:
– Oh, professora, pensei no desafio e construí o meu relógio com o Scratch.
– Boa! E então como foi? Como fizeste?
– Bem, eu fiz o relógio e o ponteiro dos segundos (eram dois sprites) e pensei que o ponteiro depois de rodar tinha de esperar um segundo, claro. Mas depois o ângulo é que demorou mais a descobrir!
–Conta lá!
Era o final da aula de Estudo Acompanhado, e o F. contava-me a história a mim e ao professor de Língua Portuguesa:
– Então, aquilo quando começa tem sempre 15 graus na instrução de rodar, mas achei que era muito e mudei para 10. Experimentei mas não deu. Depois experimentei um grau por cada segundo. Era pouco e não dava. Fui experimentando e acabei por chegar a seis graus, que é o valor certo para o relógio funcionar.
– Então porquê?
A minha cabeça ia já a mil, apercebendo-me do problema matemático que havia estado à sua mão de resolver… se eu estivesse perto dele tê-lo-ia colocado a pensar no assunto: – Vamos lá pensar juntos.
O professor de Língua Portuguesa começava a ficar entusiasmado com o rumo da conversa… E foi ele quem perguntou: – O relógio é o quê?
– É um círculo…
– Sim, e então quantos graus tem uma volta completa?

Via-se através dos olhos e das mãos a cabeça do F. a trabalhar… Ele ia dizendo em voz alta: – Ora assim é 90 graus, depois fica 180…
– E? E? – Nós quase sem resistir…
– Ao todo 360 graus…
– Pois… Então… Quantos segundos numa volta completa?
– São 60… Ah! Dividia-se 360 por 60!
A descoberta…
– Por isso é que me deu 6 graus. 6 x 60 dá 360! Era mais fácil!
– Pois… A Matemática tem esta forma interessante de nos ajudar nos momentos mais inesperados. Através dela é posssível fazer atalhos elegantes aos caminhos e não usar apenas métodos por tentativas. Mas, neste caso, também é bom ensaiares e depois perceberes a possibilidade de existência de outros caminhos! Foi óptimo o que fizeste! E, vês, acabaste por descobrir uma outra forma de resolver o problema. Se puderes, escreves as notas do projecto – como fizeste as tuas descobertas – para eu ficar com elas?

 

 

Com alguns anos de diferença... Eis a história da I. Com uma professora presente e mais experiente para a apoiar (em vídeo, aqui).
Esta é uma entre as imensas actividades que o ambiente gráfico de programação Scratch permite. Não há limites de tema, forma, idade do programador e suas características. A seu tempo partilharemos mais informação e outras conversas de aprender... Aqui podem encontrar-se muitos exemplos de projectos que nos abrem o apetite.
Fica o desafio!

 

* EB 2,3 de Azeitão e CCTIC – ESE/IPS: http://projectos.ese.ips.pt/cctic/ e http://eduscratch.dgidc.min-edu.pt/



publicado por Correio da Educação às 10:59
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De Valdemar Sousa a 22 de Junho de 2011 às 17:07
Muito bem, sr.ª prof.ª! Elogio a sua aposta num dos possíveis futuros da educação.
Só duas questões, por curiosidade: as situações narradas no seu artigo e vídeo desenvolveram-se durante alguma aula ou sessão de ACND? Ou são desenvolvidas como momentos extra-curriculares?


De Teresa Marques a 1 de Setembro de 2011 às 14:45
Caro Valdemar
Em primeiro lugar pedir desculpa pelo atraso da resposta e agradecer o seu interesse e comentário. Passou-me despercebido e só hoje o encontrei. A primeira situação decorreu numa aula de Estudo Acompanhado (é dito no texto). A referente ao vídeo aconteceu num Clube (actividades de complemento curricular) que dinamizo na escola. Todavia, tive ocasião de desenvolver este tipo de trabalho numa turma de 5º ano em contexto de aula... quando aconteceu ser-me atribuído o quinto tempo e leccionar em simultâneo EA e Ciências, o que me garantia mais tempo para a gestão do programa. Espero ainda ter ido a tempo de ajudar. Para mais esclarecimentos e recursos tem os links divulgados no artigo, sendo o principal este: http :/ eduscratch.dgidc.min-edu.pt /


De Valdemar Sousa a 2 de Setembro de 2011 às 08:24
Muito obrigado pelos esclarecimentos. Realmente, ao reler o artigo é que me apercebi que a situação narrada tinha decorrido em EA.
Já agora, ao desenvolver este tipo de actividade, não sentiu que o currículo devia prever ainda mais espaço para a inter e transdisciplinaridade?

Um bom ano lectivo para si!


De Teresa Marques a 2 de Setembro de 2011 às 10:33
100% de acordo...
Andamos a "ministrar" saberes arrumados em gavetinhas e em vez de repensarmos o currículo nessa direcção, fechamos oportunidades como era, na minha opinião, AP...
Muitas vezes trabalhei com o Scratch em AP interligando saberes de todas as áreas nos projectos desenvolvidos pelos alunos...
Enfim...
Um bom ano para si também!


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