23-05

* José Matias Alves

 

Hoje, sustento a tese de que a realidade não é independente do sujeito que a observa e cria. Até certo ponto, a realidade é uma (re)criação do sujeito, é o que pensamos que ela é. Porque, em larga medida, nós agimos em função do que pensamos (e do que sentimos).

E quando olhamos para a escola, o que é que nós vemos? O que é que nós pensamos? O que é que nós sentimos? Que atitude e disposição assumimos?

Teremos, certamente, razões para vermos a escola como um local de solidão, sofrimento e até expiação. Mas esta visão devolve-nos um mal-estar que nos agonia, nos entristece, nos esgota, e, no limite, nos destrói.

Precisamos de ver, na escola, pequenos oásis que (re)confortam. Gestos que nos animam. Oportunidades que nos encantam e alentam. Poderes que nos gratificam. Precisamos de tempos de encontros e de celebração. Precisamos de nos felicitar uns aos outros. Porque estes motivos também existem. E são eles que nos podem animar e ampliar uma disposição gerada por estes mil espelhos de alegria.

Precisamos destas imagens de alegria. Precisamos de as ver. Precisamos de construir e reconhecer. Porque a nossa felicidade – e a nossa realização profissional - passa por aí. Isto não significa, obviamente, distorcer a realidade, ignorar o que nos avilta e oprime, desvalorizar o peso do sistema. Não! Essa face da realidade tem de merecer a nossa contestação. Mas precisamos de nos situar na construção das margens da alegria. Sobretudo nestes tempos críticos e de ameaça.

 

* José Matias Alves é professor do Ensino Secundário, mestre em Administração Escolar pela Universidade do Minho, doutor em Educação pela Universidade Católica Portuguesa e professor convidado desta instituição.

 



publicado por Correio da Educação às 10:51
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De fatima baldaia a 30 de Maio de 2011 às 19:38
Oh, como eu concordo com estas palavras! Deprime-me ir para o meu local de trabalho e encontrar caras fechadas, sempre a reclamar, como se todos os momentos fossem momentos de luta, como se, de repente, deixássemos de ter brio profissional, prazer no ofício, gosto por fazer bem, só porque o governo faz asneira. Eu trabalho para a minha realização pessoal, que passa também pela realização profissional, independentemente de quem está no ME! Eu trabalho para mim e para os meus alunos, a contestação deixo-a para os locais e os tempos certos e adequados, quando o entendo.
Felizmente, para cada um dos que traz cara carregada, há três que ainda estão felizes! Se assim não fosse, as escolas eram locais de tortura!


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