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Correio da Educação

Correio da Educação

 

* José Matias Alves

 


Desde há 3 anos que a avaliação do desempenho dos docentes tem estado sempre no centro da agenda e da turbulência educativa. Porque era impossível (como tive oportunidade de dizer e demonstrar), porque era burocrática e monstruosa (também por responsabilidade das próprias escolas), porque era um instrumento de persecução de autoridades que o não sabiam ser, porque minava os modos de ser professor, porque requeria um excessivo tempo (que era roubado ao essencial da profissão – ensinar-fazer aprender-avaliar – porque não tinha condições de realização por falta de conhecimentos e de preparação, porque o campo profissional estava minado por uma vasta desconfiança mútua.


Por razões de oportunidade (leia-se de oportunismo político), o PSD e toda a oposição parlamentar deliberou suspender a avaliação em curso. Há razões objetivas (e demonstráveis) que tornam evidente que este sistema de avaliação estava longe de concorrer para elevar as qualidades de ensino e das aprendizagens. Há evidências que permitem sustentar (de um geral e sem se poder generalizar) que os prejuízos estavam a ser maiores que os benefícios. E por isso, o discurso da indignação soa a uma manifesta falsidade.

Mas deve também dizer-se que esta suspensão se pode virar contra os professores. Porque se cria a ideia de que os professores, definitivamente, não querem ser avaliados. E são uma espécie de classe profissional pária. E isto pode ter muito nefastas consequências na imagem pública e, posteriormente, na ação política (cerceando e limitando ainda mais os direitos profissionais).


Por isso, temos de reivindicar uma avaliação com significado e sentido. Uma avaliação que aposte claramente na dimensão interna, formativa, colaborativa. Na construção de uma cultura profissional que se resgate da clausura, da solidão e do sofrimento profissional. Uma avaliação que esteja nas mãos dos professores. E que se distinga dos mecanismos de progressão na carreira (embora esteja necessariamente conectada). Mais do que celebrar o fim, temos de ousar um início. Antes que seja tarde demais.

 

* José Matias Alves é professor do Ensino Secundário, mestre em Administração Escolar pela Universidade do Minho, doutor em Educação pela Universidade Católica Portuguesa e professor convidado desta instituição.

3 comentários

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    Paulo 06.04.2011

    Pois, a si também me parece que faz falta uma grande dose de formação profissional! É por haver pessoas no ensino que falam da forma que fala (os meninos precisam de empinar... com a salvaguarda de que a memória é fundamental, de que servem conhecimentos empinados por um ou dois dias) que a avaliação chegou a este descalabro!
  • Sem imagem de perfil

    anonimo 09.04.2011

    Três pontos de vista no seu comentário:
    1-
    o que sinto nos meninos que não memorizaram ...., é que quando chegam aos 20 e muitos e trintas anos, já estão tão/tanto ... ou mais gagás do que eu.
    2-
    aprendi no estágio que há várias fases cruciais de aprendizagem no crescimento do ser humano, como o "experimentar", o "empinar", o ..., o …, inferindo assim, no crescimento e nas aprendizagens dos meninos, que apesar de não entenderem o que lhes estão a ensinar à primeira como por ex: "se escreve uma palavra" ou ”o empinar de uma tabuada, pois esta tem sempre de ser explicada para que percebam o seu funcionamento/relação entre números" venha a servir para novas situações ... posteriores!
    3-
    a avaliação chegou a este descalabro! Qual das avaliação é que fala? A avaliação dos meninos ou a avaliação dos professores ou a avaliação dos programas lançados pelo ministério?
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