05-12

 

* Teresa Martinho Marques

Sim, eu sei. Tempos difíceis.


Mas não poderemos virar costas a perguntas e a reflexões que são importantes, mesmo que não pareçam prioritárias.


Os Magalhães ― que nas mãos certas, nas escolas certas, com os professores certos, em projetos nacionais e internacionais e iniciativas louváveis/formação por parte da Equipa de Recursos Tecnológicos Educativos e respetivos Centros de Competência TIC espalhados pelo país, têm sido fonte de muita inovação de práticas em contexto de sala de aula ― vão desaparecer. Chegará o dia em que os últimos alunos que os têm ainda na sua posse os levarão consigo e não regressarão. Vai ser já no final do próximo ano letivo que o adeus definitivo acontecerá. O adeus gradual já está a acontecer: os alunos de 1.º e 2.º ano vivem sem eles em muitas escolas que também não tinham/têm equipamento próprio em quantidade e qualidade suficientes para permitir um trabalho regular, eficaz, mais individualizado e consistente no 1.º ciclo e pré-escolar (não esqueçamos que estão em vigor há dois anos metas TIC transversais a todos os ciclos de ensino, incluindo o pré-escolar, e que os computadores não são um luxo, mas uma ferramenta do currículo nacional).

 

 

* EB 2,3 de Azeitão e CCTIC – ESE/IPS: http://projectos.ese.ips.pt/cctic/ e http://eduscratch.dgidc.min-edu.pt/    



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29-11

* Rosa Silva

 

«A língua que nos une também pode ser a língua que nos separa» foi uma das frases proferidas pela jornalista Leonor Xavier, no salão nobre do Teatro Dona Maria II, dia 6 último. Deu alguns exemplos. A palavra «canalizador» é, para nós, aquele que repara a canalização, mas para o carioca do Rio de Janeiro é um bombeiro. E citou João Cabral: «Nós com 20 palavras fazíamos um poema.»

 

Com graça própria e simplicidade experimentada, Leonor, também escritora, lembrou alguns grandes nomes de portugueses e brasileiros ligados pela cumplicidade fraterna luso-brasileira: Agostinho da Silva (que chegou a entrevistar), António Alçada Baptista, Millôr Fernandes, Vitorino Nemésio (e o seu Violão do Morro)…

 

 

 

* Docente do Ensino Secundário



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14-11

 

* Rosa Duarte

 

Ter memória de elefante não é para todos. Mas à nossa escala humana, cobaias do terceiro milénio, não há ninguém que a ela não recorra, nem que seja para se reconhecer ao espelho, fazer um simples flashback para lançar a mão às chaves do carro ou de casa, ou desanuviar de um dia de trabalho com uma imagem mental de companhia.

A nossa memória é a nossa história, a nossa identidade. Construímo-nos a registar e a reler esses registos. E a cada recordação, mesmo sem querer, fazemos involuntárias reformulações.

 

De tal modo que me vieram à ideia as correrias que fazia com os meus irmãos no parque infantil do Monsanto nos escorregas de chapa enormes, a sentir as minhas pernas a queimar pela fricção, os baloiços brancos largos, com proteções lassas e grossas… e a sentir depois algum enjoo a seguir ao almoço à conta do calor e dos safanões…

 

 

 

* Docente do Ensino Secundário.



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05-11

* Inês Silva

Lembro-me de há uns quinze anos uma turma queixar-se de uma professora de matemática. Diziam os alunos que ela permanentemente se fixava na janela e se esquecia deles. Eu, como diretora de turma, teria de resolver o problema. Mas ela estava deprimida e assustada, não com a crise dos tempos de hoje, claro, mas com outra, para a qual não encontrava solução. E eu também não sabia como ajudar. Os alunos não compreendiam. Para eles, ela era medíocre. E eu, que não resolvia o caso, também. “Não se brinca com um 11.º ano”, diziam. “Eu quero entrar em medicina”, acrescentava um. “E eu preciso de boa nota a matemática, que é a específica”, acrescentava outro. “Façam os exercícios do manual que ela vai pedindo”, dizia eu, sem mais inteligência. Mas face a esta sugestão, contaram-me logo a história do dia anterior: depois de terem entrado na aula, a professora pediu-lhes que fizessem os exercícios de uma determinada página e logo fixou o olhar na janela, no Outro lado que, decerto, apaziguava tudo aquilo que a emudecia. Passados minutos, um dos alunos perguntou-lhe:
- Afinal, qual é a página, stôra?
- Ah? Ah, sim… é… é uma qualquer.
Para ela, qualquer página servia. Mas para eles não. Porém, apesar desta adversidade, os alunos lá foram caminhando até ao fim do ano e até ao fim de muitos outros anos, com a determinação que não encontraram na professora. Contudo, hoje, já médicos, engenheiros, veterinários, também olham pela janela à procura do Outro lado, o lado que alivia as tensões maiores. E agora percebem a resposta da professora. Em certos momentos da vida, qualquer página serve para a nossa história. A falta de perspetiva de futuro a isso leva.

 

* Doutora em Linguística (Sociolinguística). Professora Adjunta convidada na Escola Superior de Educação de Santarém. Tem realizado estudos sobre a escrita dos alunos. É autora de várias publicações de caráter didático e de caráter linguístico. Na ficção, publicou o romance: A Casa das Heras.



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29-10

* Teresa Martinho Marques

Querido Manuel, é tão tardia esta carta. Tão irremediavelmente tardia que nem sei em que estrela te pendurarás para a escutar ao meu lado enquanto a canto como a um fado.
Eu que me habituei a ser fada de mim e a usar uma varinha de condão para realizar os sonhos que vou sonhando (tantos deles para a escola), não quero acreditar que um deles vai ficar perdido por aí, deambulando, órfão de ti e da tua voz, sem destino a que chegar.
Sabias que fiz planos para me cruzar contigo e quase consegui? Tantas perguntas eu levava no bolso. Afinal só estivemos quase juntos porque o espaço foi o mesmo (inverno frio na Guarda e uma biblioteca quente), mas os dias foram dois, colados um ao outro sem se sobrepor. Adiamos na vida tanta coisa. E depois o sal e a dor. E inventamos que as pessoas não morrem porque a obra, a memória, essas coisas de circunstância, de limpar lágrimas e seguir em frente. Morremos sim, porque o futuro vai ser para sempre feito de passado. Parece que é a mesma coisa, mas é tão diferente. Eu queria continuar a escutar a tua voz e colá-la ao que já disseste até te dizerem que não podias dizer mais nada. Fim. Não queria somente o que já foi, o que li e reli. Não queria apenas amanhã só regressar a ti.

* EB 2,3 de Azeitão e CCTIC – ESE/IPS: http://projectos.ese.ips.pt/cctic/ e http://eduscratch.dgidc.min-edu.pt/    



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01-10

 

 

* Teresa Martinho Marques

Nestes tempos conturbados, cada vez mais adversos, poder-se-ia pensar que morreriam quaisquer iniciativas visando a inovação na escola e o esforço dos professores no sentido de procurar formas de fazer mais, diferente e melhor. Não é verdade. Há projetos (com pessoas dentro) que se desenvolvem ao longo de um tempo próprio de acordo com planos de médio/longo prazo e são avaliados para que se tomem decisões de futuro sustentadas.

 

 

 

 

 

* EB 2,3 de Azeitão e CCTIC – ESE/IPS: http://projectos.ese.ips.pt/cctic/ e http://eduscratch.dgidc.min-edu.pt/    



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11-06

 

 

* Teresa Martinho Marques


Não sei o que é o amor em educação.
Não consigo defini-lo com palavras simples.
Mas sei distinguir quem ama de quem não ama. Conheço os efeitos colaterais desse amor. E sei que não é preciso ser professor para transpirar essa paciência cheia de esperança do jardineiro.

Quando comecei a trabalhar com o Scratch na plataforma do MIT, surgiu por lá  o utilizador ffred a comentar os trabalhos dos alunos, apoiando, criticando, desafiando, estimulando. Podia ter qualquer idade, ser qualquer pesssoa, morar em qualquer canto do mundo. Dele conhecia o seu empenho e as suas palavras sábias dirigidas aos alunos. Faziam toda a diferença no trabalho das crianças que se habituaram a esperar essas palavras, a lê-las, a usá-las como referência.

 

 

* EB 2,3 de Azeitão e CCTIC – ESE/IPS: http://projectos.ese.ips.pt/cctic/ e http://eduscratch.dgidc.min-edu.pt/    



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30-05

 

* Rosa Duarte

 

Desde os tempos imemoriais dos nossos antepassados que ouvimos e sabemos que aprender é até morrer. Está visto que é essa a missão de todos nós. Aprender a aprender a todo o custo, em especial no caso dos educadores, que precisam de conhecer o ser humano, a sua matéria-prima, por excelência. Mesmo os mais instruídos em Psicologia, ou especialmente estes... Até mesmo os educadores muito experientes. E em particular os mais vocacionados e dedicados, naturalmente.
Ontem, um grupo de professores ouviu falar duas jovens psicólogas sobre alguns sintomas de alerta em cenários clínicos recorrentes nas escolas, frequentemente associados a perturbações mentais detetáveis em fases de crescimento, com particular expressão na conturbada adolescência.

 

* Docente do Ensino Secundário



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07-05

 

* Rosa Duarte


Viver em open space o fast love num zapping delirante ao som da música psicadélica e batatas fritas de palito pode anestesiar momentaneamente o incómodo da crise económica instalada, implacável para os potenciais consumidores de futuros profissionais promissores
que vão aguardando melhores dias na sua terra, mas a troco da embriaguez dos media empacotados e amizades sociais sem rede, por vezes com digestões difíceis de virtualidade continuada. Nos tempos difíceis, especialmente, os frutos obrigam-se a si mesmos a dar espaço para alguns brotarem mais suculentos. Assim, nos escombros da conhecida música que nos vão dando os grandes grupos económicos e políticos, disparam felizmente os vanguardistas sentimentos dos grupos alternativos que vão respirar uma aragem mais inventiva, porque falam das tentações sonantes e arremessos de legumes mágicos, em projetos e concertos inflamados e inflacionados do nosso tempo, com (The) Temptations, Smashing Pumpkins… Vai-se sobrevivendo com a alegria do som.

 

 

* Professora do Ensino Secundário



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27-04

* Inês Silva

 

Alguns títulos de jornais, publicados recentemente, deixaram-me perplexa: “Acordo ortográfico adiado na CPLP” (Sol, 3/03/2012); “Governo admite rever Acordo Ortográfico” (RTP, 29/02/2012); “Governo vai alterar Acordo Ortográfico” (Expresso, 29/02/2012). A minha perplexidade advém do facto de não perceber por que razão os que mexem e remexem neste caldeirão, que se chama Portugal, motivados por um força egocêntrica, nunca se queimam.


O projeto de texto de ortografia unificada de língua portuguesa, designado Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, foi aprovado em Lisboa, no dia 12 de outubro de 1990. Foi ratificado pelo decreto do presidente da república n.º 43/91, de 23 de Agosto de 1991, e está em vigor, na ordem jurídica interna, desde 13 de maio de 2009. A resolução do Conselho de Ministros n.º 8/2011, de 25 de Janeiro, determinou a aplicação do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa no sistema educativo no ano letivo de 2011/2012 e, a partir de 1 de janeiro de 2012, ao Governo e a todos os serviços, organismos e entidades na dependência do Governo, bem como à publicação do Diário da República. Apesar da discórdia em torno das XXI Bases deste novo acordo, ninguém conseguiu travar estes passos em tempo útil.

 

 

* Doutora em Linguística (Sociolinguística). Professora Adjunta convidada na Escola Superior de Educação de Santarém. Tem realizado estudos sobre a escrita dos alunos. É autora de várias publicações de caráter didático e de caráter linguístico. Na ficção, publicou o romance: A Casa das Heras.



publicado por Correio da Educação às 14:22
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